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Metal Gear Solid na Ordem Cronológica: Um Guia de Sobrevivência para a Saga

Siga este roteiro passo a passo para jogar Metal Gear Solid na ordem cronológica da história, entendendo a queda de Big Boss e a ascensão de Solid Snake sem se perder nos anos de lançamento.

Imagem editorial ilustrando Metal Gear Solid na Ordem Cronológica: Um Guia de Sobrevivência para a Saga

Imagem editorial ilustrando Metal Gear Solid na Ordem Cronológica: Um Guia de Sobrevivência para a Saga

A maioria dos novatos embarca na franquia Metal Gear Solid pelo começo da numeração, o jogo de PS1 de 1998, e se depara com diálogos densos sobre "Les Enfants Terribles" e "O Chefe" sem contexto algum. Hideo Kojima é um mestre em desconstruir expectativas, mas para entender a tragédia operacional dos Patriots, você precisa ignorar o ano de 1998 e voltar para 1964. A ordem de lançamento entrega um thriller de espionagem que vira ficção científica; a ordem cronológica entrega uma história de guerra brutal e geracional.

Pegar a Metal Gear Solid Master Collection em uma promoção de quinze reais por jogo na Steam é o investimento ideal para esse experimento. Abaixo, separei o caminho exato para conectar os pontos do enredo, começando pela origem do homem que se tornaria o vilão da série.

Passo 1: Comece pela Guerra Fria em Metal Gear Solid 3

Sua primeira parada obrigatória é Metal Gear Solid 3: Snake Eater. O jogo se passa em 1964. Você controla Naked Snake, um agente da CIA na selva soviética. Esqueça as stealth bases futuristas por enquanto; aqui o inimigo é a natureza, as cobras venenosas e o frio. A mecânica de cura manual, onde você usa kit médico e bisturi para extrair balas no menu, é vital para entender o quão "manual" é a espionagem dessa época.

O ponto crucial aqui é o desenvolvimento do personagem. Você presencia a criação do Big Boss. A relação com a mentora, The Boss, é o cerne emocional de toda a franquia. Se você pular direto para o jogo original de 2005, a morte dela no final do Snake Eater será apenas uma nota de rodapé em um dossiê, e não o trauma que definiu o século XXI dentro do jogo.

Passo 2: Construa o Exército em Peace Walker

Pule direto para 1974 com Metal Gear Solid: Peace Walker. Originalmente de PSP, o jogo sofreu com controles "anômalos" nas versões de console, mas o enredo é insubstituível. É aqui que Big Boss decide fundar o "Army Without Borders". A jogabilidade de gestão de base, onde você recruta soldados sequestrando-os com um Fulton e os envia para a Mother Base em helicóptero, não é um mero minigame; é a fundação econômica do conflito futuro.

Aqui a trama se aprofunda na teoria da dissuasão nuclear. Você vê Big Boss rejeitando os dogmas dos Estados Unidos e abraçando uma filosofia própria. É o momento onde ele deixa de ser um soldado seguindo ordens e se torna um comandante político. Guerreiro das Trevas ou Paladino: Qual classe define melhor o herói de Final Fantasy XIV? é um debate interessante para trazer à tona aqui, pois Big Boss flerta com os dois arquétipos: ele se vê como o protetor dos oprimidos (Paladino), mas age com métodos sombrios e terroristas (Guerreiro das Trevas).

Passo 3: O Vazio de Ground Zeroes e o Fantasma na dor

Avance para 1975 e 1984 jogando Metal Gear Solid V: Ground Zeroes e The Phantom Pain. Ground Zeroes é curto, quase uma demo, mas joga uma realidade brutal na sua cara: a destruição da base que você construiu no passo anterior. É necessário sentir essa perda para entender o motivação do Venom Snake, o protagonista de The Phantom Pain.

Ao entrar em The Phantom Pain, prepare-se para uma mudança drástica. É um mundo aberto vasto e, muitas vezes, vazio, propositalmente. O foco aqui é a táctica "fobos" (Fear Of Brothers). A história de Venom Snake lida com a perda de identidade e o manipulação genética. O jogo é incompleto no final do terceiro ato, algo que Kojima deixou propositalmente áspero, mas as cenas de档案馆 (Archive) e a fita cassete "The Man Who Sold the World" esclarecem a farsa que sustenta o vilão principal do primeiro jogo.

Passo 4: Enfrente o Passado com Metal Gear e Metal Gear 2

Aqui reside o maior obstáculo para o jogador moderno. Os anos são 1995 e 1999. Você precisa jogar os títulos originais de MSX, disponibilizados nas coleções modernas em versões "emuladas". A jogabilidade é top-down 2D, sem radar, com movimentos em grade e uma dificuldade altíssima. Se você não tiver paciência para repetir fases de duas horas de duração, assista aos "cinematics movies" no menu de extras, mas saiba que perderá a tensão climática da infiltracao em Outer Heaven.

O ponto vital dessa etapa é conhecer Solid Snake em sua juventude. Ele é uma cópia de Big Boss, geneticamente superior, mas sem a experiência. Nesses jogos, ele enfrenta Big Boss duas vezes. Assistir ao confronto entre o "filho" e o "pai", sabendo toda a tragédia que você viveu nos passos anteriores, transforma uma luta de chefe genérica em um duelo de ideologias desesperador.

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Passo 5: A Revelação de FOXDIE em Metal Gear Solid

Finalmente, chegamos a 2005. Ao iniciar o clássico de PS1, Metal Gear Solid, você agora tem o contexto completo. Quando o Coronel Campbell fala sobre "terroristas genéticos", você sabe exatamente quem é o Liquid Snake e por que ele odeia seu pai. Quando o Dr. Hunter menciona o vírus FOXDIE injetado em Snake, você entende a ironia: os mesmos Patriots que surgiram das cinzas de Big Boss agora usam seu clone para eliminar o grupo que se revoltou.

A jogabilidade aqui introduz o elemento visual de "soluços" na tela e o uso de bips de radar, coisas que podem datar o jogo tecnicamente, mas que narrativamente servem para mostrar Solid Snake sofrendo com o envelhecimento acelerado e a arma biológica em seu sangue. O impacto de matar o seu irmão e ver o corpo de Big Boss queimado (sim, ele aparece aqui vivo de forma chocante) ganha peso dramático absurdo.

Passo 6: O Controle da Informação em Sons of Liberty

Pule para 2007/2009 com Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty. Este jogo é uma pedra no sapato de quem quer ação pura, pois você joga a maior parte do tempo como Raiden, um personagem novato. No entanto, é o ponto filosófico mais alto da série. A obra trata da manipulação de dados em massa pela internet e pela IA dos Patriots.

Existe uma semelhança perturbadora entre o controle dos Patriots sobre a sociedade e como o GEASS em Code Geass altera o livre arbítrio, mas em Metal Gear o controle não é mágico, é digital. O jogo deixa claro que a "verdade" da história de Snake na bacia de Shadow Moses foi reescrita por filtragem de informação. Jogar isso após conhecer a "história real" dos passos anteriores cria uma desconstrução metanarrativa única.

Passo 7: O Adeus em Guns of the Patriots

Termine sua jornada em 2014 com Metal Gear Solid 4. O Solid Snake aqui é um velho decrépito, envelhecendo prematuramente. O jogo fecha as pontas soltas sobre os Patriots, a identidade de Ocelot e o destino do Big Boss. É um filme interativo com longos cutscenes, alguns chegando a trinta minutos, mas necessários para encerrar o ciclo.

Ver Big Boss e Snake se reconciliarem no final, frente ao túmulo de The Boss, só tem o efeito devastador que Kojima quis se você trilhou esse caminho cronológico. Você testemunhou o nascimento do mito, a corrução do homem, a criação do clone e a morte do soldado.

A necessidade da repetição

Após seguir essa ordem linear, uma curiosidade vai bater: o que acontece se eu jogar tudo de novo na ordem de lançamento? A mágica de Metal Gear reside justamente nisso. A cronologia oferece a trama lógica, mas a ordem de lançamento oferece a experiência psicológica de descobrir a mentira junto com o personagem. Ter os dois mapas mentais — o da história e o da revelação — é o verdadeiro final secreto da franquia para qualquer curador de lore. Se você quer entender como timelines complexas funcionam com ramificações e regras próprias, vale dar uma olhada em por que as Guerras do Santo Graal em Fate têm regras diferentes em cada linha do tempo; Metal Gear também brinha com essas reescrições de realidade, mas focado na geopolítica.

Entenda a cronologia é apenas o primeiro passo para se livrar do controle da informação.

Felipe Nakamura Santos
Felipe Nakamura SantosEstrategista de Gameplay e Curadoria

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